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segunda-feira, 16 de abril de 2018 > por Barbara Cheffer

Tumor ósseo ainda é pouco diagnosticado na fase inicial

Pela primeira vez o Norte do Brasil recebe o Congresso Brasileiro de Oncologia Ortopédica (CBOO), sendo a sua 11ª edição realizada em Belém, nos próximos dias 19, 20 e 21 de abril. Promovido pela Associação Brasileira de Oncologia Ortopédica (ABOO), o CBOO é o mais importante evento da especialidade no país e traz nomes renomados internacionalmente: Akihiko Takeuchi (Japão), Henk van de Meent (Holanda), Valerae Lewis (Estados Unidos), Mark Scarborough (Estados Unidos) e Adesegun Abudu (Inglaterra). Além deles, um dos pioneiros da especialidade, Dr. Elio Consentino, e o presidente da ABOO, André Mathias Baptista, também estarão presentes.
De acordo com o presidente do evento, o ortopedista oncológico, Fernando Brasil, no Pará, considerando os mais de oito milhões de habitantes, a estimativa é de 50 casos de câncer ósseo por ano, mas muitos deles subnotificados e vindo a óbito sem buscar o devido tratamento. “O diagnóstico precoce é fundamental para a cura de crianças e adolescentes, grupo no qual o tumor originário no osso aparece mais comumente, e para que o tratamento não seja mutilante. Então, aquela criança que se queixa de dor, principalmente na região do joelho, parte distal da coxa e proximal da perna, por uma ou duas semanas, deve procurar auxílio médico. Existe aquela dor do crescimento, mas se essa dor é muito frequente, deve-se procurar ajuda”, indica.
No Pará, a Casa Ronald McDonald, coordenada pela Associação Colorindo a Vida, possui o Programa Diagnóstico Precoce, através do qual capacita profissionais de saúde a identificar precocemente o câncer infantil e juvenil, diminuindo o tempo entre os primeiros sintomas e o diagnóstico final, e aumentando as chances de cura. Este ano, o programa está sendo executado em Bragança, no nordeste paraense, região onde se constatou casos avançados de câncer infanto-juvenil.

AVANÇOS
Ainda na década de 60, o tratamento era radical, a amputação era a primeira opção e se desarticulava o membro o mais longe possível da lesão primária (originária no osso). Ainda assim, de acordo com o Dr. Elio Consentino, uma das maiores autoridades no assunto no Brasil e na América Latina, fundador do Grupo de Tumores Músculo-Esquelético da Santa Casa de São Paulo, o número de óbitos era alto, principalmente em crianças, por metástases disseminadas frequentemente do pulmão.
“A amputação era feita quase que por uma questão humanitária, porque o tumor crescia muito e as crianças sofriam demais com as dores; então se fazia uma cirurgia mutilante com uma tênue possibilidade de cura. Isto mudou radicalmente com a quimioterapia e hoje, raramente, em tumores diagnosticados precocemente, se realiza a amputação”, comenta.
Os tumores metastáticos (lesões secundárias, advindas de outros órgãos) doem, e normalmente a dor é o primeiro sinal do tumor. Muitas vezes, antes de se descobrir o tumor, a pessoa já apresenta alguma fratura patológica. As metástases ósseas frequentemente surgem a partir do câncer de mama, de pulmão, de rim, de tireóide e de próstata.
Atualmente o tratamento é feito por uma equipe multidisciplinar, composto pelas etapas de quimioterapia pré-operatória, cirurgia e quimioterapia pós-operatória.
De acordo com Consentino, o problema perpassa por serem tumores raros, possuem causas incertas e às vezes são desconhecidos pelos próprios profissionais mas a radiografia já pode indiciar o tumor. “Se fala muito em câncer mas quase não se fala sobre câncer ósseo e é por isto que precisamos falar disto para os profissionais da saúde, que precisam saber diagnosticar esse tipo de câncer”, diz o especialista.

CAUSAS E SINTOMAS
Ainda não se sabe ao certo quais as causas do câncer de osso primário, mas alguns fatores de risco tornam os pacientes mais suscetíveis, como a exposição à qualquer tipo de radiação, hereditariedade, Síndrome de Li Fraumeni (doença que causa mutações em genes supressores de tumores, que são os responsáveis por ajudar a controlar o crescimento e a divisão celular normal), tumor maligno ocular (retinoblastoma) e Doença de Paget (interfere no processo onde o tecido ósseo novo substitui gradualmente o tecido ósseo velho).

Os sarcomas ósseos são raros e aparecem mais comumente em crianças e adolescentes. Os sintomas normalmente estão relacionados à dor e inchaço local, fraturas sem trauma associado, fadiga e perda de peso sem aparente motivo.

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